O rosto da noite ( ou só você vai entender)
A noite caiu de uma vez
sem combinar nada com o avesso.
Dei de cara com o que quase não vejo,
que não posso, mas que sempre olho.
Lá estava ela bela, densa, tensa
Catando as flores da paciência
Dizendo que comia minhas palavras todos os dias
mas que ainda havia um amor em seu coração em carne viva.
O que importa foi a festa que houve
a dança, o beijo que flutuou entre a boca e o cais
bem perto do céu
lembro de tudo simples, sem véus.
as vezes tem alguém por perto
que a gente sabe que pode dar certo
mas evita, por medo,
porque é tarde ou ainda é cedo.
porque ensina amor
matéria que sempre gosto de recordar
logo eu que estou acostumado
as surpresas da noite
ela é de amar
ela é feito as marés
as vezes enche... outras esvazia.
Ela é do meu jeito... de
um jeito que quase não sou mais.
Brinco em meu quintal
Danço com a cigana
Visto o cigano que ela
diz que pareço
com brincos e tudo
que hei de usar um dia.
E em meus ouvidos escuto o silencio
é o segredo de sal
que prometemos jamais contar.
e o beijo a minar
e matar o desejo que hoje pertencem ao mar.
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