A lenda da forra
Papai reclamava muito minha presença, na
verdade ele estava cheio de razão, não é que não o amasse, porque eu o
amava e muito, mas dava a mesma desculpa que minhas filhas dão pra mim
hoje : "tô sem tempo papai " Luana Medeiros
então vai mais longe e me pergunta com voz de professora : " você acha
que não te amo ? pois saiba que penso todos os dias em você ", como se
isto fosse o máximo que ela pudesse fazer. A verdade é que tô nem aí mas
sofro pra cassete. Tomara que não me
coloquem como ídolo quando eu me for, que pretensão ! Pensei até em
dizer o que o velho me disse em hora de desespero de minha total
ausência : Filho, você está se acostumando pra quando eu morrer você não
sentir nada, isto não é ausência é defesa. Não é o caso, cada caso é um
caso, o de Luciana Medeiros
é paixão, ela ainda acredita nessas fábulas. E assim é a forra, e tem
gente que fala em inferno, digo outra coisa :aqui se faz aqui se paga. E
como disse Khalil Gibran Khalil em "O Profeta ; "os filhos vem de vós,
mas vos pertence" aliás era um poeta, inclusive mentiroso, pois era
poeta, e os poetas mentem um absurdo, mas é óbvio que entendi o que ele
queria dizer.
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