Claudio Rabello
Domingo nem sei porque é um dia que fico frágil, dou de chorar a toa,
acho que é a ressaca do sábado, as preparações de quinta e sexta feira, e
por aí vai. Acordei com o Canal Brasil passando um especial do Vinicius
de Moraes que já vi 1.000.000 de vezes, absurdamente lindo, aí me veio o
parceiro de meu irmão Claudio Rabello em minha cabeça, que via os
filmes que gostava, um cem número de vezes também, aliás temos a mesma mania;
Quando a solidão ficava do tamanho, dele e o tomava por completo,
coisas de poeta, ele me chamava. Na verdade foi por causa dele que
escrevi uma vez "O disponível" que era eu no caso, tipo : quem vou
chamar que é disponível quase sempre me vem nas horas que preciso, e que
entende tudo do que falo, que mastiga poesia também, na verdade era eu o
parceiro ideal e dizia sem pensar : "Bucha, pega um táxi que eu pago
aqui", eu morava em Niterói e ele em Botafogo, mas o que ele não sabia é
que eu ia porque eu o amava e muito. Quebrou milhões de galhos pra mim,
pra mim eram galhos enormes. Na época tínhamos a mesma verdade no amor,
os dois amavam mulheres que passeavam em outros homens e moravam na
gente. Paixões alucinógenas, de fato, tanto que ele vive com sua amada
predileta até hoje e eu como estou sempre" com minhas malas prontas pra
viagem", como ele mesmo escreveu, mudei mais uma vez meus planos de
amor.
Claudio é ótimo letrista, nos usamos
muito, aprendi muito com ele e tenho certeza que ele comigo. Fomos muito
aos cinemas, locadoras, ele, assim como eu, somos cinéfilos, a lugares
de música, mas uma vez me atirando em terras de ninguém querendo ser
marraio nele falei : Claudio você gosta sempre mais do Dalto que de mim,
porque ? ele me respondeu de uma maneira que acreditei na hora, porque
era e é inteligente como os poetas são : é que Dalto é meu melhor amigo e
o que sinto por você é amor de pai, você eu amo como a um filho. Achei
lindo, mas sei que veio de sua cabeça inteligentíssima a frase. Claudio
esteve na casa de Dalto, eu soube, hoje não precisa mais de mim, duvido
que viesse a Niterói sem me ligar, mas hoje tem companhia, e não precisa
mais de mim, não quero acreditar que seja por outro motivo.
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