sábado, 19 de abril de 2014

Judas

Esperava dar meio-dia, ler o testamento incendiar e malhar o boneco feito com calças que não eram as minhas, uma blusa geralmente listrada que também não era minha, porque eu era pequeno, e o corpo feito cheio de folhas de jornais já lidos, assim é a tradição, o ritual que todos esperavam.
Eu particularmente gostava mais do testamento que deixavam pendurado sobre o corpo do malhado, enorme, que dava pra ler de longe com meus olhos que tão bem enxergavam em épocas distantes. Ali, sem nenhuma censura, se sabia de tudo que acontecia no bairro, nos bastidores do bairro, eles já tinham tendências a "Candinha!". Aos poucos o homem vai duvidando, desprezando os rituais, as lendas, as tradições e perdem o tão valioso tempo, é a vez do corre corre por e pro nada. O homem hoje é um bicho que só pensa em grana, sexo e em velocidade o que jamais será o meu caso, não malhei Judas nenhum, não participei de nenhum testamento, apenas estou em casa desde quinta feira namorando cultivando um certo cansaço é verdade, mas sabe que nem beber eu bebi a não ser uma 2 cervejas com minha irmã.

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