Azul de domingo
O azul de domingo me traz cheiro de incenso
De sacristão, do padre peralta,
Do cheiro de empregada, negra perfumada fazendo atrapalhada
Com seu cashemere bouquet inundando a sala.
Que me amanheceu tantas vezes de amor.
O azul de domingo me traz macarronada
De mamãe zangada, herdada por meus irmãos
da mais verdadeira e falsa italianada.
Que nada, mais que nada Jorge Benjor
Cantando na eletrola seu sucesso
Que transpus na Europa bebendo vinho bom
no mesmo tom da loucura.
O azul do domingo me traz uma lança
que não consigo arrancar do peito
Saudade que mata aos poucos dele
Que os crentes loucos acham que foi pro céu
e está morando lá no azul.
Que só era verdadeiramente meu aos domingos,
Quando as canções procuravam por ele
Invadindo a porta que hoje escuto
Somente o toque : toc toc !
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